A recessão não será tão estrondosa quanto se chegou a temer e o desemprego não deverá chegar aos dois dígitos. Mas, em contrapartida, a recuperação económica terá especiais dificuldades em assentar terreno em Portugal, que voltará, a partir de 2010, a crescer pouco e menos do que a média da Zona Euro, numa dinâmica frágil que será acompanhada de uma escalada sem precedentes do endividamento público.
Este é, em resumo, o quadro traçado pelas novas previsões de Outono da Comissão Europeia, do qual sobressai o valor inscrito para o défice orçamental.
Depois de um curto período de consolidação bem sucedida das contas públicas, o défice deverá disparar de 2,7% em 2008 para 8% no final deste ano, devendo manter-se neste patamar em 2010, antes de voltar a subir para 8,7% no ano seguinte.
A confirmarem-se, estes valores significam que Portugal está a caminho que registar défices apenas comparáveis aos da década de 80, durante a qual o país foi por duas vezes “resgatado” pelo Fundo Monetário Internacional.
Os 8,7% antecipados por Bruxelas para 2011, num cenário de políticas inalteradas, apenas foram registados em 1981, há 28 anos atrás.
Paralelamente, a Comissão Europeia antecipa um agravamento inédito do rácio da dívida
pública, prevendo que este passe de 66,3% apurados em 2008 para 77,4% no final deste ano, antes de atingir 84,6% em 2010 e 91,1% em 2011. Todos estes valores são máximos das séries estatísticas que acompanham a evolução da dívida pública portuguesa.
O agravamento do endividamento público é um cenário com o qual se defronta a maioria dos países europeus. Espanha, Grécia e Irlanda deverão fechar o ano corrente com défices acima dos 11%, ao passo que Itália, Bélgica e Grécia exibirão dívidas bem acima dos 100% do PIB.
Fonte Jn